Saúde.

Publicação: Quinta-feira, 19/05/2016 às 12:07:48     Atualização: 19/05/2016 às 12:20:27
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Dor crônica afeta a vida dos pacientes de câncer

Segundo pesquisa, 89% dos doentes relatam sofrer com o problema

Levantamento realizado com 344 pacientes de câncer de todo o Brasil constatou que a dor crônica afeta a disposição de 89% dos pacientes da doença, fazendo com que eles passem mais tempo em casa. Segundo o Ministério da Saúde, de 50% a 70% dos pacientes com câncer sofrem do problema e para mais de um terço deles, a dor é de alta intensidade. Apenas este ano, estima-se que 600 mil novos casos de câncer sejam diagnosticados no Brasil e, destes, 60% já estarão em estado avançado.

Realizada pelo Instituto Oncoguia, em parceria com a empresa farmacêutica Mundipharma, a pesquisa mostrou que mais de 80% dos pacientes relataram que a dor afetou o desempenho no trabalho, muitas vezes levando à perda do emprego. Quando questionados sobre qual palavra descreveria melhor a convivência com esse sintoma os resultados foram: desânimo (40,4%), angústia (35,6%) e desespero (17,5%). Além disso, 52% entrevistados atribuem à persistência da dor o surgimento de outros problemas de saúde como depressão, ansiedade e aumento de doenças crônica e obesidade. O levantamento conclui que 54% dos pacientes com câncer que sofrem de dor crônica  necessita do Sistema Único de Saúde (SUS) para seu tratamento. 

“A dor é um sintoma extremamente comum em quadros de câncer. No entanto, isso não significa que faça parte do tratamento da doença, como mais da metade dos pacientes entrevistados (54,4%) acredita. A maioria não fala sobre dor com o oncologista e sofre em silêncio desnecessariamente já que é possível investir no manejo da dor para alcançar uma melhora significativa da qualidade de vida. Por isso, é fundamental desconstruir mitos relacionados ao tema e buscar uma equipe multidisciplinar para que o paciente com dor crônica tenha apoio tanto medicamentoso quanto psicossocial”, comenta a médica Sandra Caires Serrano, membro da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED) e diretora titular do Departamento de Dor e Responsável pelo Serviço de Cuidados Paliativos do A.C. Camargo Câncer Center.

Quanto às alternativas de tratamento para dor crônica, a Organização Mundial de Saúde (OMS) indica o  uso de opioides como opção para casos de dor moderada e forte, de acordo com as escalas de mensuração estabelecidas globalmente. Segundo organizações internacionais, o Brasil está entre os 10 países com menor prescrição no mundo: “A análise de consumo de opioides faz parte, inclusive, dos critérios de Índice de Desenvolvimento Humano e é preocupante ainda termos tantas barreiras para o tratamento adequado da dor no país. Enquanto levantamentos internacionais apontam que a taxa ideal seria de 192,9 mg ao ano por pessoa, no Brasil temos apenas 7,8mg ao ano – 25 vezes a menos”, reforça a especialista.

A médica destaca ainda que a sociedade médica, pacientes e familiares aguardam parecer do Ministério da Saúde sobre a revisão do documento que padroniza o tratamento da dor crônica na rede pública – o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT). Entre fevereiro e março, foi realizada uma consulta pública que possibilitou o envio de sugestões para ampliar o acesso a diversos tipos de opioides, como a oxicodona, um medicamento da classe dos opioides com eficácia comprovada para o tratamento de dores decorrentes de doenças como câncer. 

“Estamos esperançosos que com a união de esforços da sociedade médica, associações de pacientes e poder público a dor crônica possa ser cada vez mais discutida e que seu tratamento possa ser ampliado, de forma a proporcionar melhor qualidade de vida à milhares de pessoas que ainda sofrem com dor hoje no Brasil”, comenta a especialista.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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