Publicação: Sexta-feira, 01/07/2011 às 18:40:37 Atualização: 01/07/2011 às 17:48:55
Compra coletiva: o barato que pode sair caro
Larissa Santiago
larissa.santiago@jornaldebrasilia.com.br
Os preços são irresistíveis e as ofertas tentadoras. E é justamente com esse ponto que os sites de compra coletiva atuam. Mas a decisão impulsiva pela contratação de um serviço devido ao seu custo X benefício, pode ser um tiro pela culatra. E quando a tão sonhada viagem para o exterior comprada pelo site não chegou a ser marcada porque a empresa responsável pela oferta não atende ligações e nem responde aos emails? E aquele peeling facial de pedras preciosas pela bagatela de R$ 60, que queima o seu rosto por não ter sido bem aplicado?
As compras coletivas, para muitos consumidores, deixaram de ser uma vantagem para se tornar sinônimo de mau atendimento e serviço sem qualidade. Os garçons dos restaurantes já não te recebem como um cliente normal. Antes de entrar já se ouve a pergunta: “É promoção?”. Sem falar na nova modalidade de cliente, que ao invés de entrar para a fila de clientes, entra para a fila do cupom.
Depois de muitas tentativas, o servidor público Matheus Medeiros, 28 anos, conseguiu contato com a empresa de quem comprou um atrativo pacote de seis diárias em Orlando (EUA). Ele conta que por várias vezes tentou ligar na agência de turismo para marcar a data da viagem, mas o telefone estava sempre ocupado. “Depois que começamos a pesquisar descobrimos que a empresa tinha várias reclamações na internet. Fiquei muito frustrado”, contou.
Apesar de ter conseguido contato com a empresa, Matheus ficou receoso e decidiu cancelar a viagem. “Eu prefiro não comprar mais viagem nessa modalidade. Prefiro pagar mais caro a passar por isso. Era uma viagem que estava sendo planejada com amigos, mas agora estamos procurando por uma agência tradicional”, relata.
Sobre o caso de Matheus a diretora de comunicação do site de compras coletivas Peixe Urbano, Letícia Leite, disse que o problema foi identificado e resolvido junto à empresa parceira. “Nós entramos em contato com eles e falamos sobre o ocorrido. Eles então montaram um núcleo dentro da empresa com 30 linhas de telefone só para atender a demanda dos clientes do Peixe Urbano”, disse.
Letícia fala que trabalhar com ofertas de turismo é uma modalidade nova e está sendo um aprendizado constante. “Um pré-requisito que temos pra fechar uma parceria é justamente esse canal direto com o cliente. O nosso objetivo é que os dois lados fiquem satisfeitos”.
Com a bancária Natália Bittencourt, 25 anos, o problema foi maior. Ela comprou três sessões de peeling para o rosto por R$ 60, mas o procedimento estético não saiu como o esperado. “Logo quando eu cheguei à clínica já vi que tudo era precário. Achei esquisito porque fui eu mesma que lavei meu rosto para fazer a primeira aplicação”, conta.
Natália diz que na primeira sessão tudo ocorreu bem, mas não na segunda. “Na segunda vez eu fiquei na sala muito tempo sozinha e meu rosto estava ardendo. Eu fui falar com a moça e ela disse que era normal, que eu tinha que aguentar. Quando me olhei no espelho vi que meu rosto estava todo vermelho, decidi lavar na hora”, relata. A bancária disse que o produto queimou o seu rosto. “Se formaram bolhas na minha pele”.
A jovem não voltou mais à clínica para a terceira aplicação e também não ligou para falar do ocorrido. “Eu preferi não me indispor com isso. Mas também nunca mais vou comprar tratamento estético em site de compra coletiva”.
O designer Ivan Mola, 30 anos, já teve mais de um problema com essas compras. Ele contou para o Clicabrasilia que certa vez comprou um cupom para um restaurante mexicano e, chegando lá, ao invés de o colocarem na lista de espera de uma mesa para clientes, o colocaram em uma lista do cupom. “Nós fomos ao restaurante no último dia de utilização do cupom, chegando lá pedi mesa para duas pessoas. Foi quando a moça me disse que eu deveria entrar para a lista do cupom. Achei bem estranho”.
Ivan disse também que algumas pessoas que chegaram depois dele e não estavam com um cupom conseguiram uma mesa antes. “Não sei se eles reservaram algumas mesas só para a promoção. Eles deveriam querer ganhar clientes e não perder. Me senti muito mal”, fala.
De acordo com a diretora do Peixe Urbano, as empresas parceiras quase não obtêm lucro na venda dos cupons promocionais e, justamente por isso, devem oferecer um atendimento de qualidade a fim de fazer com que o cliente compre outras coisas, volte e indique o estabelecimento. “Além dos descontos nos produtos há ainda a porcentagem que fica com o site. É um investimento da empresa e para valer a pena o serviço tem que ser excelente”, afirma.
Letícia explica também que a empresa tem duas formas de fiscalizar a qualidade dos atendimentos prestados aos clientes. “Uma é quando os clientes entram em contato conosco com as reclamações e a outra é através de um departamento de relacionamento com os parceiros, onde fazemos visitas até os estabelecimentos para identificar possíveis problemas”, esclarece.
Seu direito
De acordo com o advogado especialista em Direito Digital Victor Auilo, as leis que protegem o consumidor se aplicam de forma integral às compras virtuais em sites de compras coletivas. Ele diz que se algum serviço não foi prestado de maneira satisfatório, como no caso de Natália, cabe ao consumidor entrar na justiça contra a empresa prestadora do serviço. “Muitas vezes são casos em que não vale a pena entrar em juízo e arrastar um processo por seis meses justamente pelos baixos valores.
“A orientação é tentar resolver com a empresa que vendeu o cupom e, se não der certo, procurar um advogado”, fala. O advogado orienta ainda os consumidores a procurarem o Procon quando tiverem algum tipo de problema. “Eles atendem ao consumidor de maneira geral, em qualquer meio e modalidade”.
O diretor geral do Procon-DF, Oswaldo Morais, orienta os consumidores para compras na internet. Ele diz que a prioridade deve ser dada àqueles sites que possuem endereço fixo no país e que cada passo da negociação deve ser acompanhado de perto.
No caso das compras coletivas ele informa que, para que o Procon possa agir, é necessária a reunião de documentos comprobatórios. Ele diz também que o valor cobrado não influi e nem justifica um serviço mal prestado. “Se o consumidor tiver sofrido alguma lesão ou dano pelo produto adquirido ele deve procurar o Procon para resolver o problema ou até mesmo a esfera judicial. Não importa o quanto pagou. O que importa é se ele recebeu o que foi anunciado, se ele não recebeu, se o produto estava em condições impróprias para o consumo ou se isso causou algum dano à sua saúde”, explica.
Para ir até o Procon registrar a reclamação o consumidor deverá levar uma cópia do RG e CPF e os documentos comprobatórios da relação de consumo.
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Andreia
Disse em:
01/07/2011 - 22:50