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Do Alto da Torre

Eduardo Brito

 

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Publicação: Domingo, 19/05/2013

Brasília, capital dos moradores de rua

 

Ex-secretária do Desenvolvimento Social, a deputada Eliana Pedrosa (foto) está preocupada com o aumento no número de moradores de rua no Distrito Federal. Não é por menos. No Plano Piloto, quem passa pelo Eixão ou Eixinho Norte todo dia confere barracas de lona entre as vias. Pela noite é possível ver até fogueiras no gramado. Em Taguatinga, a concentração maior fica nas proximidades da Praça do Relógio. No Núcleo Bandeirante, eles chegaram a sitiar um hotel. Existem casos até de estupro.

 

Interpelação ao secretário

 

A sensação de aumento da população de rua fez com que a parlamentar enviasse requerimento ao secretário de Desenvolvimento Social, Daniel Seidl. “Vemos muito discurso e pouca ação. Toda semana alguém do governo aparece dizendo que vai fazer, que vai resolver... Mas o tempo passa e os problemas continuam da mesma maneira”, criticou Eliana Pedrosa.

 

 

Nada de “higienização”

 

 

Ligado a segmentos pastorais  católicos, Daniel Seidl partilha a convicção de que retirar das ruas esses moradores seria algo que sua ala batiza de “higienismo social”. Seja lá o que signifique a expressão imbecil, a consequência é que inexistem esforços sérios, por parte da secretaria, para evitar as concentrações de moradores de rua. Nem mesmo quando consomem drogas abertamente ou quando expõem crianças a riscos.

 

Turbulência no eleitorado evangélico

 

Vem por aí turbulência, e brava, no eleitorado evangélico do Distrito Federal. Está em curso plano para que o deputado Vítor Paulo, presidente nacional do PRB, transfira seu título, hoje no Rio de Janeiro, para a capital. Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Vítor Paulo não é um estranho a Brasília. Morou na cidade, onde completou sua pós-graduação, e foi secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Distrito Federal, de 2003 a 2004.

 

Puxando a legenda

 

 

Mesmo tendo recebido 157.580 votos como candidato no Rio, colocando-se como o terceiro mais votado, Vítor Paulo viria para o  Distrito Federal para puxar a legenda. Supõe-se que ele ajudaria a eleger no mínimo um deputado a mais.

 

Mexida no quadro

 

 

Ainda não se concluíram os entendimentos para composição da chapa, mas a provável chegada de Vítor Paulo mexe ao menos com dois prováveis candidatos do PRB à Câmara dos Deputados. O atual secretário de Atenção ao Idoso, Ricardo Quirino, disputou as duas últimas eleições para federal. Seria agora candidato a distrital, mas com a chegada de um puxador devotos pode cobrar uma terceira chance. Já o distrital Evandro Garla, que iria para a chapa federal, agora pode permanecer na Câmara.

 

Já foi distrital

 

 

Se alguém duvidar do potencial de Vítor Paulo como candidato em Brasília, ele já disputou eleições na cidade. Em 2002 concorreu a distrital pelo PSDB, recebeu 10.573 e ficou como segundo suplente, logo abaixo de Ivelise Longhi, do PMDB. Chegou a assumir a cadeira. 

 

Os riscos que o homo sapiens corre 

 

Os hipocondríacos vão adorar. Os catastrofistas mais ainda. Acaba de ser lançado nos Estados Unidos o livro Spillover, que poderia ser traduzido, de forma muito livre, por Os que sobram. Seu subtítulo explica melhor: infecções de origem animal e a próxima pandemia. O autor, o cientista David Quammen, parte do princípio de que nunca uma espécie prosperou tanto quanto o ser humano, nós mesmos, o homo sapiens. Nem os dinossauros exerceram tanto controle quanto o planeta. Mas isso não significa que essa espécie deixe de correr riscos.

 

Espécies costumam acaba

 

 

A força do ser humano realmente assombra. São 7 bilhões de indivíduos, crescendo à proporção de 70 milhões por ano. Quando a conta estava em 6 bilhões, sua biomassa somada já era 100 vezes superior à biomassa de qualquer outra espécie viva. Mais, foi a única espécie capaz de promover reengenharias de ecossistemas, mudar cadeias alimentares inteiras, desenterrar estoques fósseis para produzir calorias e desenvolver sistemas de moradia. Mas, adverte Quammen, espécies costumam acabar. Às vezes devagar, as vezes de maneira fulminante.

 

Vírus, o grande perigo 

 

 

Alguma nova epidemia virá, isso é certo, diz o autor, com base no que aconteceu com todas as demais espécies. Essa epidemia pode não se expandir. Pode ser controlada. Mas também pode causar danos incalculáveis. Tudo indica que será um vírus. Como o do HIV, seus genes serão expressos em RNA, não em DNA, como os humanos. Isso significa que serão propícios a mutações rápidas e, por isso mesmo, cada vez mais difíceis de tratar.

 

Contaminação de zoonose 

 

Os seres humanos já conseguiram tratar a quase totalidade das doenças transmissíveis que são próprias deles. Ao contrário do que ocorria até há pouco tempo, ninguém morre mais de sarampo, varíola, tifo ou tuberculose. Tudo indica que o vírus da próxima epidemia terá sua origem entre os animais. Será o que se conhece por zoonose. Não constituem novidade. Segundo Quammen, 60% das doenças infecciosas que atingiram os humanos, da peste bubônica ao ebola, são zoonoses. “A zoonose”, diz Quammen, “é a palavra do futuro, destinada a uso intensivo já no Século 21”.  O próprio homem contribui para sua expansão, graças às tecnologias que ele mesmo criou. A gripe aviária, por exemplo, mal tinha surgido no Vietnã e na Tailândia e uma vovó de 78 anos a levou de Hong Kong para Toronto.

 

 

 

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