A Comissão Anísio Teixeria de Memória da Verdade da Universidade de Brasília (UnB) promove hoje, terça-feira, às 14h30, a sua primeira audiência pública, no prédio da reitoria. Estão previstos os depoimentos do ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, Romário Schetino e do ex-reitor da universidade, Antonio Ibañez Ruiz o evento é aberto ao público e ocorre no Auditório da Reitoria da Universidade de Brasília.
Fonte: India Daily News

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Por Ivair Alves Dos Santos
As empresas com capital indiano na Etiópia estão produzindo flores e transformando-se no terceiro maior produto de exportação do país após o café e khat, uma espécie de cannabis para mastigar.
Nos últimos cinco anos, a indústria da floricultura etíope tornou-se a segunda maior exportadora de flores na África (após o Quênia) e quarto maior exportador de flores do mundo. De acordo com uma estimativa, o valor das exportações auferidas pelo país deverá subir até $ 550 milhões até 2016.
A Etiópia tem uma vantagem comparativa na produção de rosas, especialmente com as condições climáticas favoráveis e disponibilidade de mão de obra. O Governo etíope também oferece incentivos aos investidores.
Em conversa com a Embaixada fomos informada que a empresa entra com 65% do capital e o Governo da Etiópia com 35%.
Fonte: Notícias da Procuradoria Geral da República
A Procuradoria Geral da República opinou pelo indeferimento do pedido de medida liminar solicitado no Mandado de Segurança (MS) 30.952 pelo Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (IARA). O mandado de segurança pediu a suspensão de parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) que orienta escolas e educadores para uma educação antirracista.
O Parecer 06/2011 do CNE reexamina outro parecer (15/2010), e dá orientações para que o material utilizado na educação básica se coadune com as políticas públicas para uma educação antirracista. O reexame surgiu a partir de uma denúncia de um técnico em gestão educacional da Secretaria de Educação do Distrito Federal em razão de utilização do livro intitulado "Caçadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato, referência em escola da Rede Particular de Ensino do Distrito Federal.
A denúncia critica a estereotipia ao negro e ao universo africano na obra, especificamente da personagem feminina e negra Tia Anastácia e as referências a personagens animais, tais como urubu, macaco e feras africanas. Para o denunciante, é necessária um trabalho com uma literatura antirracista na escola, superando a adoção de obras que fazem referência ao negro com estereótipos fortemente carregados de elementos racistas.
Mais informações:
Fone: (61) 3105-6404 - 6408
A Universidade de Campinas (Unicamp) promove entre os dias 20 e 24, deste mês, a Semana África e Diáspora, das 14h às 15h30, no Espaço Cultural Casa do Lago. Segundo os organizadores, o objetivo é discutir e atualizar informações sobre o desenvolvimento cultural e social no daquele continente e as relações raciais no Brasil.
Programação:
20 de maio (hoje) - Projeto Afreaka - Lado Cool e descolado da África. Flora Pereira da Silva e Natan de Aquino Giuliano
21 de maio - A Primavera Árabe e as influências no continente africano - Mohamed Habib (IB). Os dilemas da sociedade egípcia reinventados em “O Edifício Yacubian” – MSc. Anselma Garcia de Sales (APN-Mocambo Campinas).
22 de maio - Convênio Técnico de Cooperação Internacional entre Hospital Josina Machel (Luanda - Angola) e a Unicamp, extensível ao MInSA (Angola). Pio do Amaral Gourgel e Oscar Alfredo Paulo
23 de maio - Crowdfunding e as Entidades Negras - Silvana Santos (Soul Social Ideias e Projetos) e David Campos (Liga Humanitária de Assistência Afrobrasileira).
24 de maio - Sofrimento psíquico e a questão racial - Cinthia Vilas Boas (ITCP) - Lançamento da Campanha "É Racismo. Não é mal entendido." Carlos Roberto de Oliveira (Câmara Municipal de Campinas)
Mais informações:
www.tatibuffet.wordpress.com
Imagens do Fórum sobre educação e diversidade realizado ontem, sábado (18), em Águas Lindas (GO), sob a coordenação da professora Márcia Severino.

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Estão abertas até 31 de julho de 2013 as inscrições para a 3ª edição do Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento. Podem concorrer jornalistas profissionais de todo o país. Serão distribuídos R$ 35 mil em prêmios, em sete categorias.
Criado para valorizar o conteúdo jornalístico capaz de tornar visível o racismo como fator estrutural das desigualdades socioeconômicas do Brasil, o Prêmio simboliza a busca por um jornalismo plural, que valorize a diversidade brasileira. Em 2013, para facilitar as adesões, serão recebidas somente inscrições pela internet.
Segundo a coordenadora desta edição, Sandra Martins, um dos objetivos este ano é aumentar os inscritos nas categorias Mídia Alternativa/Comunitária e Especial de Gênero Jornalista Antonieta de Barros, além de mobilizar mais profissionais do Norte, do Nordeste, do Centro-oeste e do Sul, sensibilizando para temas que são foco do Prêmio.
“Dar visibilidade aos problemas da população negra brasileira, em especial das mulheres negras, de forma equilibrada e positiva na mídia, rompendo com o ciclo de repetição de estereótipos, é um desafio para ao jornalismo no país”, afirmou Sandra, que também coordena a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-Rio), organizadora da iniciativa.
Serão aceitas reportagens inéditas, publicadas ou veiculadas na imprensa brasileira entre 1 de agosto de 2012 e 31 de julho de 2013. Saiba mais no Regulamento.
Lançado em 2011 pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), por meio da Cojira-Rio, o Prêmio homenageia o ex-senador Abdias Nascimento, ícone da luta contra o racismo e defensor dos direitos humanos, falecido naquele ano.
Categoria Formato Prêmio
Mídia Impressa PDF e/ou link. R$ 5 mil
Televisão Link da reportagem + roteiro em PDF. Também serão aceitos vídeos hospedados no site Youtube. R$ 5 mil
Rádio Link da reportagem + roteiro em PDF. Também serão aceitos áudios hospedados nos sites Youtube e Radiotube. R$ 5 mil
Mídia Alternativa/Comunitária Ver as orientações de cada categoria. R$ 5 mil
Internet PDF e/ou link. R$ 5 mil
Fotografia Até 900 pixels em formato JPEG R$ 5 mil
Especial de Gênero Jornalista Antonieta de Barros Ver as orientações de cada categoria. R$ 5 mil
A iniciativa conta com apoio das Cojiras de Alagoas, do Distrito Federal, de São Paulo e da Paraíba, além do Núcleo de Jornalistas Afro-Brasileiros e da Diretoria de Relações de Gênero e Promoção da Igualdade Racial dos Sindicatos do Rio Grande do Sul e da Bahia, respectivamente. As entidades integram a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Étnico-racial (Conajira), da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj).
Sobre Abdias Nascimento:
O ex-senador Abdias Nascimento se tornou ícone da defesa dos direitos humanos e do combate ao racismo. Desenvolveu vasta produção intelectual como ativista, político, artista plástico, escritor, poeta e dramaturgo. Natural de São Paulo, participou dos primeiros congressos de negros. No Rio, criou o Teatro Experimental do Negro (TEN).
Como jornalista, foi repórter do Jornal Diário e trabalhou em vários periódicos. Fundou o Jornal Quilombo e foi filiado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio. Acumulou vários títulos, entre eles, o de professor emérito da Universidade de Nova York e Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Acesse o regulamento:
www.premioabdiasnascimento.org.br
Realização: Cojira-Rio /SJPMRJ
Patrocínio: Ford Foundation, Fundo Baobá, Oi
Parceria: Fenaj, Ipeafro, UNIC-Rio, Cultne, Sated
Apoio: W. K. Kellogg Foundation, Fundação Palmares
Informações:
(21) 3906-2450
Fale conosco: premioabdiasnascimento@gmail.com
Fórum Municipal de Educação de Águas Lindas de Goiás, no município de Águas Lindas de Goias, na Escola Municipal Vereador Érico de Sousa Ferreira - Setor Jardim Brasília, sábado (18) manhã e tarde
EIXOS TEMÁTICOS NOS GRUPOS - Das 13h30 às 15h30 - Eixo Temático II - Sobre - EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE : Justiça Social, Inclusão e Direitos Humanos
9h Abertura com as Autoridades Local.
Almoço : 12h às 13h30
APRESENTAÇÃO EM PLENÁRIA
FINAL - 17h

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Fonte: alaiONline
Por Ana Alakija*
A Africa World Press, uma das maiores editoras afro-americanas incluindo os países africanos localizados no Oriente Médio, está homenageando um dos mais mais grandiosos escritores africanos, Chinua Achebe, que faleceu em março deste ano aos 82 anos de idade.
Através de uma listagem de títulos disponível em seu website, a AWP está orientando e disponibilizando a aquisição de obras sobre esse gigante africano da literatura.
O Tributo a Chinua Achebe, como é chamada a iniciativa, é uma forma de lamentar e ao mesmo tempo celebrar a vida do grande escritor, cujo pensamento e obra tem ancorado a publicação dos livros pela AWP nos últimos trinta anos, conforme informa seu publisher e compatriota do autor, Kassahun Checole.
“Ele serviu de exemplo para nós como um grande mentor não só da sua reconhecida mundialmente habilidade como um contador de histórias, mas também, como um dos pioneiros da publicação africana”, disse Checole.
“Foi Achebe que, em sua associação como primeiro editor da Heinemann African Writers Series [série de livros escritos por aficanos publicados pela editora inglesa Heinemann desde 1962, famosa também por publicar o popular W.Somerset Maugham], puxou uma longa lista de jovens escritores africanos, a maioria integrante da galeria de escritores contemporâneos de gabarito internacional que conquistaram seu próprio espaço”, complementa.
Os títulos e autores disponíveis nessa primeira edicão da listagem de títulos publicados pela AWP são: Chinua Achebe: Teacher of Light (Professor da Luz), por Tijan M. Sallah & Ngozi Okonjo-Iweala, biografia de Achebe (2003); Achebe’s Women (As mulheres de Achebe), por Helen Chukwuma, uma re-visita do retrato de personagens femininas de Achebe (2012); Achebe & the Politics of Representation (Achebe e as Políticas de Representação), por Ode Ogede, análise crítica do romancista e sua obra, redefinindo o conceito de nacionalismo cultural (2010).
Early Achebe (O começo), por Bernth Lindfors – ensaios, contos e romances inovadores de Achebe publicados durante a primeira fase do escritor de longa e distinta carreira literária (1951-1966) - o livro conclui com uma palestra inédita de Achebe intitulado “O Escritor e a Revolução Africana” (2009); Emerging Perspective on Chinua Achebe Vol. I, por Ernest N. Emenyonue e Vol. II, por Emenyonue e Iniobong I.Uko, primeiro trabalho no século 21 de crítica dos escritos ficcionais de Achebe até o fim do século 20 e da sua proposta de estética; e God, Oracles & Divination, a exegese cultural de quatro romances de Chinua Achebe, por Kalu Ogbaa (1992).
A listagem é prefaciada por um texto intitulado Tribute to Chinua Achebe (1930-2013) (Tributo a Chinua Achebe), de autoria do escritor Dr. Toyin Falola, professor de História do Frances Higginbotham Nalle Centennial e da Universidade do Texas em Austin, membro da Historical Society of Nigeria & the Nigerian Academy of Letters (Academia de Letras da Nigéria) e com mais de 30 livros publicados pela AWP.
Em seu texto sobre Achebe, Falola diz que talvez nenhuma outra figura representa o orgulho da Nigéria melhor do que Chinua Achebe. Como escritor, estudioso e ativista, Achebe trouxe à tona tanto a realidade colonial quanto a pós-colonial da Nigéria, através de seus escritos de renome mundial, expondo o mundo para a África de uma forma que ninguém tem acompanhado antes ou depois.
Ele ainda rebate críticas sobre Achebe por seu uso do idioma Inglês em seus escritos, por causa da sua lingua nativa Igbo (Albert Chinualumogu Achebe nasceu em 16 de novembro de 1930, na cidade de Igbo Ogidi, Nigéria Oriental). Falola diz que é preciso enxergar o inglês de Achebe como o de uso em sua terra natal, e não o inglês britânico de colonizadores da Nigéria.
“Ao escrever no seu inglês, Achebe foi capaz de tornar o seu trabalho disponível para um público muito mais amplo, bem como demonstrar plenamente as complexidades da experiência colonial nigeriana”, diz Falola.
Um dos mais famosos romances de Achebe e o romance africano mais lido, dentro e fora do continente africano – Things Fall Apart (Quando as coisas desmoranam, 1958) – publicado em mais de 55 idiomas e com mais de 8 milhões de cópias, está em seu pós-quinquagésimo aniversário da publicação assim como o fazer da moderna literatura africana.
Nele, Achebe une o tão antigo ao tão moderno, o conflito imemorial entre o indivíduo e a sociedade, com a queda da graça de Okonkwo (um homem de poder e influência em sua aldeia Igbo) com o “mundo tribal”; e o choque de culturas, com a destruição do mundo de Okonkwo após a chegada de missionários europeus agressivos. Estes dramas individuais perfeitamente harmonizados são informados por uma consciência capaz de englobar ao mesmo tempo a vida da natureza, a história humana, e as misteriosas compulsividades da alma.
O tributo literário a este “vivo” africano tem a intenção de continuar a tradição que Achebe deixou. “O legado de Achebe é duradouro, e marcará para sempre a história e a prática da literatura africana”, como assinala Kassahun Checole .
*Ana Alakija é editora geral e internacional da alaiONline

No próximo dia 2, de junho, acontece a Festa Junina do Nosso Lar, em Brasília, das 12 às 22h. Neste ano, a renda obtida com a Festa será para reforma das casas lares. A organização do evento, avisa que há vagas para quem quiser, na condição de voluntário, contribuir com a preparação do evento em atividades como cozinha e decoração das barracas.
Mais informações:
Fone: (61) 9176-3284 - 9679-2792 - 3301-1120

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Em uma reunião que durou mais de três horas, deputados e senadores cobraram nesta quinta-feira (16), do vice-presidente da República, Michel Temer, a imediata suspensão dos processos de demarcação de terras indígenas no país movidos pela Fundação Nacional do Índio - Funai. No encontro estavam presentes o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN), 14 deputados federais, um senador, o advogado Geral da União, Luís Inácio Adams e representantes do Ministério da Justiça e de produtores rurais de vários estados brasileiros.

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Fonte: Obra Completa, Machado de Assis,
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, V.III, 1994.
Publicado originalmente em O Espelho , Rio de Janeiro, 23/10/1859
Machado de Assis
Houve uma coisa que fez tremer as aristocracias, mais do que os movimentos populares; foi o jornal. Devia ser curioso vê-las quando um século despertou ao clarão deste fiat humano; era a cúpula de seu edifício que se desmoronava.
Com o jornal eram incompatíveis esses parasitas da humanidade, essas fofas individualidades de pergaminho alçado e leitos de brasões. O jornal que tende à unidade humana, ao abraço comum, não era um inimigo vulgar, era uma barreira... de papel, não, mas de inteligências, de aspirações.
É fácil prever um resultado favorável ao pensamento democrático. A imprensa, que encarnava a idéia no livro, expendi eu em outra parte, sentia-se ainda assim presa por um obstáculo qualquer; sentia-se cerrada naquela esfera larga mas ainda não infinita; abriu pois uma represa que a impedia, e lançou-se uma noite aquele oceano ao novo leito aberto: o pergaminho será a Atlântida submergida.
Por que não?
Todas as coisas estão em gérmen na palavra, diz um poeta oriental. Não é assim? O verbo é a origem de todas as reformas.
Os hebreus, narrando a lenda do Gênesis, dão à criação da luz a precedência da palavra de Deus. É palpitante o símbolo. O fiat repetiu-se em todos caos, e, coisa admirável! sempre nasceu dele alguma luz.
A história é a crônica da palavra. Moisés, no deserto; Demóstenes, nas guerras helênicas; Cristo, nas sinagogas da Galiléia; Huss, no púlpito cristão; Mirabeau, na tribuna republicana; todas essas bocas eloqüentes, todas essas cabeças salientes do passado, não são senão o fiat multiplicado levantado em todas asconfusões da humanidade. A história não é um simples quadro de acontecimentos; é mais, é o verbo feito livro.
Ora pois, a palavra, esse dom divino que fez do homem simples matéria organizada, um ente superior na criação, a palavra foi sempre uma reforma. Falada na tribuna é prodigiosa, é criadora, mas é o monólogo; escrita no livro, é ainda criadora, é ainda prodigiosa, mas é ainda o monólogo; esculpida no jornal, é prodigiosa e criadora, mas não é o monólogo, é a discussão.
E o que é a discussão?
A sentença de morte de todo o status quo, de todos os falsos princípios dominantes. Desde que uma coisa é trazida à discussão, não tem legitimidade evidente, e nesse caso o choque da argumentação é uma probabilidade de queda.
Ora, a discussão, que é a feição mais especial, o cunho mais vivo do jornal, é o que não convém exatamente à organização desigual e sinuosa da sociedade.
Examinemos.
A primeira propriedade do jornal é a reprodução amiudada, é o derramamento fácil em todos os membros do corpo social. Assim, o operário que se retira ao lar, fatigado pelo labor quotidiano, vai lá encontrar ao lado do pão do corpo, aquele pão do espírito, hóstia social da comunhão pública. A propaganda assim é fácil; a discussão do jornal reproduz-se também naquele espírito rude, com a diferença que vai lá achar o terreno preparado. A alma torturada da individualidade ínfima recebe, aceita, absorve sem labor, sem obstáculo aquelas impressões, aquela argumentação de princípios, aquela argüição de fatos. Depois uma reflexão, depois um braço que se ergue, um palácio que se invade, um sistema que cai, um princípio que se levanta, uma reforma que se coroa.
Malévola faculdade — a palavra!
Será ou não o escolho das aristocracias modernas, este novo molde do pensamento e do verbo?
Eu o creio de coração. Graças a Deus, se há alguma coisa a esperar é a das inteligências proletárias, das classes ínfimas; das superiores, não.
As aristocracias dissolvem-se, diz um eloqüente irmão d'armas. É a verdade. A ação democrática parece reagir sobre as castas que se levantam no primeiro plano social. Os próprios brasões já se humanizam mais, e alguns jogam na praça sem notarem que começam a confundir-se com as casacas do agiota.
Causa riso.
Tremem, pois, tremem com este invento que parece abranger os séculos — e rasgar desde já um horizonte largo às aspirações cívicas, às inteligências populares.
E se quisessem suprimi-lo? Não seria mau para eles; o fechamento da imprensa, e a supressão da sua liberdade, é a base atual do primeiro trono da Europa.
Mas como! cortar as asas de águia que se lança no infinito, seria uma tarefa absurda, e, desculpem a expressão, um cometimento parvo. Os pergaminhos já não são asas de Ícaro. Mudaram as cenas; o talento tem asas próprias para voar; senso bastante para aquilatar as culpas aristocráticas e as probidades cívicas.
Procedem estas idéias entre nós? Parece que sim. É verdade que o jornal aqui não está à altura da sua missão; pesa-lhe ainda o último elo. Às vezes leva a exigência até à letra maiúscula de um título de fidalgo.
Cortesania fina, em abono da verdade!
Mas, não importa! eu não creio no destino individual, mas aceito o destino coletivo da humanidade. Há um pólo atraente e fases a atravessar. — Cumpre vencer o caminho a todo o custo; no fim há sempre uma tenda para descansar, e uma relva para dormir.
Fonte: http://machado.mec.gov.br/images/stories/html/cronica/macr14.htm

O Hemocentro e a Associação Brasiliense de Pessoas com Doença Falciforme querem identificar quantas são as pessoas que tem anemia falciforme para formular politicas publicas no Distrito Federal. Os relatórios serão entregues à Secretaria de Saúde.
Os que fizerem o cadastro também farão exames para saber qual o fenótipo e serão encaminhados ao hematologista mais perto de sua residência ou onde já fazem acompanhamento.
De acordo com o que informou o Hemocentro, o cadastro vai ajudar para que o paciente chegue a uma emergência ou ambulatório, o médico terá acesso as informações que serão importantes no atendimento.
Mais informações:
Fone: (61) 3327-4352
Fonte: Ascom da Fundação Palmares

Foto: Divulgação
Rosane da Silva Borges é a nova coordenadora do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra (CNIRC), da Fundação Cultural Palmares. Nomeada nesta quarta-feira (15), ela vai contribuir para o fomento e a execução de atividades de estudo, pesquisa e referência da cultura afro-brasileira. Rosane é doutora em Comunicação e já atuou como coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Por Hélio Schwartsman*

Mahzarin Banaji. Foto: Divulgação
Acaba de sair nos EUA um livro que muda nossas concepções sobre o racismo. É "Blindspot" (ponto cego), de Mahzarin Banaji (Harvard) e Anthony Greenwald (Universidade de Washington).
A tese central dos autores é a de que o racismo mudou. O sujeito que maltrata negros e os agride verbalmente é uma espécie em extinção. O contingente cada vez menor de gente que acredita em conceitos como o de raça inferior aprendeu a ficar calado. Não obstante, os efeitos do racismo continuam firmes e operantes, como se pode constatar nas diferentes posições ocupadas por brancos e negros numa série de estatísticas, como renda, desemprego, evasão escolar, performance acadêmica, taxa de encarceramento etc.
Para a dupla de autores, a explicação está em nosso racismo implícito ou inconsciente, do qual nós mesmos não nos damos conta, mas que pode ser medido objetivamente através de um teste específico chamado IAT, que avalia a facilidade com que associamos negros e brancos a conceitos positivos e negativos. Cerca de 75% das dezenas de milhares de pessoas que fizeram o teste nos EUA revelaram preferência automática por brancos. Outros estudos apontam uma correlação moderada entre preconceito implícito e atos discriminatórios contra negros.
Esses dados todos, porém, já eram mais ou menos conhecidos. O grande "insight" do livro é a constatação de que o novo racismo, em vez de envolver atos que prejudicam membros de outro grupo, assume cada vez mais a forma de atos de favorecimento a membros do próprio grupo. Num mundo que utiliza intensamente cartas de recomendação, "networking" e amigos no lugar certo, isso pode fazer toda a diferença.
Se o novo racismo traz o benefício de não ser violento como o tradicional, apresenta a desvantagem de ser algo muito mais difícil de combater. Afinal, não dá para recriminar alguém por tentar ajudar seus amigos.

Anthony Greenwald. Foto: Divulgação
*Hélio Schwartsman é bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001.
Artigo publicado pela Folha de São Paulo
Mostra reúne 12 filmes dos premiados cineastas iranianos, Mohammad Rasoulof e Jafar Panahi, e promove debate sobre os desafios de filmar no Irã
A Caixa Cultural Brasília apresenta, de 18 a 26 de maio, a mostra “Mohammad Rasoulof e Jafar Panahi: cineastas iranianos”. Serão exibidas 12 produções que refletem sobre o Irã, a sociedade iraniana e suas raízes culturais, políticas e religiosas. A mostra tem o patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal, e acontece também na CAIXA Cultural Rio de Janeiro, de 21 de maio a 2 de junho.
O projeto presta uma homenagem aos dois cineastas que, em 2010, foram sentenciados a seis anos de prisão e, no caso de Panahi, com proibição de escrever ou realizar filmes. Os dois, segundo as autoridades iranianas, teriam feito propaganda contra o estado.
Na programação, destaque para o filme “Adeus”, última produção de Mohammad Rasoulof, que aponta o exílio do Irã como a saída para encontrar a liberdade individual, ganhador do prêmio de Melhor Direção na mostra “Um certo olhar”, no Festival de Cannes, em 2011. Também na mostra, o filme “O Círculo”, de Jafar Panahi, retrata a prostituição feminina, abordando não apenas o tabu, como também a situação da mulher na sociedade iraniana.
O documentário “A onda verde”, dirigido por Ali Samadi Ahadi, é outro destaque, e revela os protestos que se seguiram à reeleição do atual presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em 2009, e sua violenta repressão. O documentário contribui para ampliar a compreensão do contexto em torno da condenação dos cineastas homenageados e dos filmes que eles realizaram depois deste fato.
Programação:
18 de maio (sábado)
16h – “Fora de Jogo”, de Jafar Panahi (2006, 88 min, 14 anos, 35mm)
18h – “A onda verde”, de Ali Samadi Ahadi (Alemanha, 2010, 80 min, 12 anos, digital)
20h – “Ilha de ferro”, de Mohammad Rasoulof (2005, 90 min, 10 anos, 35mm)
19 de maio (domingo)
16h – “O crepúsculo”, de Mohammad Rasoulof (2002, 83 min, 12 anos, digital)
18h – “Ouro Carmim”, de Jafar Panahi (2003, 97 min, 12 anos, 35mm)
20h – “A antena”, de Mohammad Rasoulof (2008, 65 min, 12 anos, digital)
21 de maio (terça-feira)
16h – “Os campos brancos”, de Mohammad Rasoulof (2009, 93 min, 12 anos, digital)
18h – “O balão branco”, de Jafar Panahi (1995, 85 min, livre, 35mm)
20h – “O Espelho”, de Jafar Panahi (1997, 90 min, 14 anos, 35mm)
22 de maio (quarta-feira)
16h – “Ouro Carmim”, de Jafar Panahi (2003, 97 min, 12 anos, 35mm)
18h – “O crepúsculo”, de Mohammad Rasoulof (2002, 83 min, 12 anos, digital)
20h – “Isto não é um filme”, de Jafar Panahi e Motjaba Mirtahmasb (Irã, 2010, 75 min, 12 anos, digital)
23 de maio (quinta-feira)
16h – “Adeus”, de Mohammad Rasoulof (2011, 104 min, 14 anos, digital)
18h – “O círculo”, de Jafar Panahi (Irã/Itália/Suíça, 2000, 90 min, 14 anos, 35mm)
20h – “Fora de Jogo”, de Jafar Panahi (2006, 88 min, 14 anos, 35mm)
24 de maio (sexta-feira)
16h – “A antena”, de Mohammad Rasoulof (2008, 65 min, 12 anos, digital)
18h – “Ilha de ferro”, de Mohammad Rasoulof (2005, 90 min, 10 anos, 35mm)
20h – “O balão branco”, de Jafar Panahi (1995, 85 min, livre, 35mm)
25 de maio (sábado)
16h – “Isto não é um filme”, de Jafar Panahi e Motjaba Mirtahmasb (Irã, 2010, 75 min, 12 anos, digital)
18h – “Adeus”, de Mohammad Rasoulof (2011, 104 min, 14 anos, digital)
20h – Debate “Cinema e autoridade estatal, realidade e interditos: como filmar no Irã?”. Mediação: Tatiana Monassa
26 de maio (domingo)
16h – “O Espelho”, de Jafar Panahi (1997, 90 min, 14 anos, 35mm)
18h – “O círculo”, de Jafar Panahi (Irã/Itália/Suíça, 2000, 90 min, 14 anos, 35mm)
20h – “Os campos brancos”, de Mohammad Rasoulof (2009, 92 min, 12 anos, digital)
O Laboratório Experimental de Eventos do Curso de Graduação em Turismo da Universidade de Brasília promoverá na próxima sexta-feira (17), 10 horas, no módulo A do Centro de Excelência em Turismo da UnB. Campus Universitário, Gleba A, a palestra “Rapa Nui: Turismo de Experiência” , com Wladimir Campos, pós-graduado em Relações Internacionais, consultor, escritor, colunista do Webinsider, blogueiro, membro do podcast iTech Hoje, viciado em viagens e embaixador do Evernote no Brasil.
Mais informações:
Fone: 3107-5988 - 8215-2390

A modelo Elisangela Freitas Costa foi, na segunda-feira (13), eleita a Miss Florianópolis 2013. Ela vai concorrer agora ao título estadual nos dias 30 de maio e 1º de junho nas cidades de Itajaí e Balneário Camboriú.


Na crônica abaixo, Machado de Assis aborda com ironia a questão da abolição da escravatura, que havia ocorrido no dia 13 de maio de 1888
Crônica publicada no jornal Gazeta de Notícias, em 19 de maio de 1888.
Bons dias!
Eu pertenço a uma família de profetas après coup, post factum, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, e juro se necessário fôr, que tôda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.
Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.
No golpe do meio (coup du milieu, mas eu prefiro falar a minha língua), levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que acompanhando as idéias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas idéias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus, que os homens não podiam roubar sem pecado.
Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio que é ainda meu sobrinho) pegou de outra taça, e pediu à ilustre assembléia que correspondesse ao ato que acabava de publicar, brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo; fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo.
No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza:
- Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida e tens mais um ordenado, um ordenado que...
- Oh! meu senhô! fico.
- ...Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo; tu cresceste imensamente. Quando nasceste, eras um pirralho dêste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...
- Artura não qué dizê nada, não, senhô...
- Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis; mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha.
- Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.
Pancrácio aceitou tudo; aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Êle continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.
Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio; daí pra cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe bêsta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas tôdas que êle recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre.
O meu plano está feito; quero ser deputado, e, na circular que mandarei aos meus eleitores, direi que, antes, muito antes da abolição legal, já eu, em casa, na modéstia da família, libertava um escravo, ato que comoveu a tôda a gente que dêle teve notícia; que êsse escravo tendo aprendido a ler, escrever e contar, (simples suposições) é então professor de filosofia no Rio das Cobras; que os homens puros, grandes e verdadeiramente políticos, não são os que obedecem à lei, mas os que se antecipam a ela, dizendo ao escravo: és livre, antes que o digam os poderes públicos, sempre retardatários, trôpegos e incapazes de restaurar a justiça na terra, para satisfação do céu.
Boas noites.
Texto extraído do livro
Assis, Machado de. Obra Completa, Vol III. 3ª edição. José Aguilar, Rio de Janeiro. 1973. p. 489 - 491.

Hilton Cobra*
Este 13 de maio de 2013 marca os 125 anos da Abolição da Escravatura no Brasil. Na contramão da História considerada oficial, esta efeméride não reduz-se à promulgação da Lei Áurea, subscrita pela princesa Isabel, que num ato de extrema “bondade” teria concedido a liberdade aos negros escravizados, mas, fundamentalmente, traz à superfície as múltiplas formas de insurreiçãonegra (quilombos, revoltas, atos de rebeldia, instauração de uma tradição negro africana) como núcleos vitais de resistênciacoletiva à escravidão no Brasil, o último país das Américas a extingui-la.
Portanto, mais do que legítimo, torna-se um exercício de reparação histórica considerarmos a abolição como resultante de um conjunto de fatores, com prevalência inequívoca da luta dos movimentos de consciência negra, que trouxe em seu cerne as sementes do protesto contemporâneo contra as desigualdades sociais, o racismo, o preconceito e a discriminação racial. Afigura-se, portanto, como gesto fundamental realçar neste dia de hoje o papel importante daliderança de mulheres e homens negros na qualidade de agentes responsáveis por minaras estruturas do escravismo de diversas formas: seja pela via da religião, das variadas expressões artísticas, da ciência e da tecnologia, do enfrentamento político, a exemplo da Revolta dos Malês,uma das mais expressivas manifestações políticas contra a discriminação e a imposição religiosa, em 1835.
Considerando esse legado dos povos negros, como podemos reeditar o 13 de maio a cada ano? Embora não vivamos mais sob a égide da escravidão, convivemos, lamentavelmente, abrigados em um sistema que alimenta o racismo e a discriminação que, sistematicamente, põe sob o manto da invisibilidade as conquistas históricas do movimento negro brasileiro, como a comemoraçãodo 20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra.Atualmente, mais de 750 municípios instituíram legalmente a data como feriado, medida que é constantemente ameaçada por aqueles que alegam sua inconstitucionalidade, como acontece hoje no Estado do Rio de Janeiro e na cidade Londrina, norte do Paraná. É inaceitável que essa interferência incida no único feriado destinado a pôr em cena o protaganismodo líder negro Zumbi dos Palmares na busca pela emancipação do país.
É essencial que todas as formas de celebraçãoe reconhecimento do papel ativo da população negra sejam preservadas e publicizadas em grande escala. Desse ponto de vista, tanto o 13 de maio quanto o 20 de novembro possuem um caráter pedagógico de valor exponencial para o nosso país reconhecer-se naquilo que o constitui visceralmente: colocam em cena eventos, personagens e histórias até bem pouco tempo desconhecidas ou subvalorizadas pela narrativa oficial, reconhecem a resistência das comunidades tradicionais e quilombolas que, em condições completamente adversas, almejam estatuto de cidadania, onde inclui-se prioritariamente o direito ao território, à preservação das práticas culturais ea novos rearranjos no dinamismo socioeconômico.
Nessa busca por um Brasil sem racismo, por uma nação democrática e desenvolvida, o 13 de maio de 2013 permite-nos observar os fios que ligam as manifestações do passado com as do presente. Um dos exemplos mais emblemáticos pode ser extraído dos casos de intolerância religiosa, que tentam bloquear o exercício do direito do povo negro aos cultos religiosos de matriz africana. No entanto, a todas essas práticas que tentam subjugar o legado cultural afro-brasileiro, a herança insurgente do negro escravizado fornece o combustível que põe em marcha reações antirracistas e anti-discriminatórias de diversos matizes e intensidade nos dias atuais. A queda da iniciativa baiana que tentava proibir uma manifestação religiosa no Estadoé um episódio que revela a força expressiva dos movimentos de resistência, significando uma vitória do povo de santo. Há que se dizer que a mobilização popular foi determinante para essa conquista.
Além desse episódio, já histórico, podemos arrolar outras conquistas que devem ser inseridas nessa densa paisagem da qual o 13 de maio, sob a ótica da população negra, constitui-se em um ponto de inflexão: dez anos da Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República), que veio para converter as principais demandas dos movimentos sociais negros em políticas públicas, transversalizandoo tópico racial na agenda do governo federal; os 10 anos da Lei 10.639, que tem potência para suscitar novos olhares e novas perspectivas sobre o patrimônio afro-brasileiro; o início da Década Internacional dos Povos Afrodescendentes, instituída pela ONU, baseada em três pilares: reconhecimento, justiça e desenvolvimento; os 25 anos da Fundação Cultural Palmares, que serão comemorados em agosto, primeiro órgão federal criado parapreservar, proteger e disseminar a cultura negra. Acrescente-se que para esta gestão é fundamental, também, a concepção de uma política cultural honesta, inclusiva e verdadeiramente democrática.
Considerar esse conjunto de conquistas e avanços, seja da sociedade civil, seja do Estado brasileiro, nos faz conferir outros sentidos ao 13 de maio anexando-o às iniciativas políticas da população negra no decorrer dos últimos séculos: Palmares, Revolta dos Malês, Revolta da Chibata, Frente Negra Brasileira, Movimento Abolicionista, Movimento de Mulheres Negras, Teatro Experimental do Negro, Resistência das Religiões de Matriz Africana, da Capoeira, do Samba, das Escolas de Samba, dos Blocos Afros, do Movimento Hip Hop.
Essa trilha, pontilhada também por recuos e retrocessos, nos faz lembrar que há séculos estamos reivindicando por cidadania plena, reconfigurando a dinâmica social brasileira. Nesse embate, também integrou o escopo das tarefas das organizações negrasa interlocução com homens e mulheres que tiveram sua autoestima violada, a estética corporal rebaixada, a humanidade subtraída…
É com esse espírito que que a Fundação Cultural Palmares marca o 13 de maio de 2013: dando impulso renovado ao que a data representa para a população negra, aproximando-a cada vez mais dos propósitos verdadeiramente libertários dos nossos antepassados; reatualizando o debate sobre a persistência vergonhosa do racismo e da discriminação; reafirmando o papel da instituição em promover a cultura brasileira, a partir do resgate do legado afro-brasileiro e diaspórico, num exercício constante de promoção dos direitos humanos da população negra. Esse deslocamento de sentido do 13 de maio nos possibilita, assim, dimensionar a profundidade das desigualdades e pôr em destaque o importante papel de homens e mulheres negros para a construção e consolidação de um outro projeto de Nação, em que todos possam dela participar ativamente.
Finalizo fazendo referência a um intelectual negro brasileiro reconhecido mundialmente, o professor Milton Santos, cujo texto encerra o espetáculo da Cia dos Comuns “A Roda do Mundo”:
“Como reprodução do universo perfeito, e para ajudar os homens e as mulheres na labuta, criando máquinas e engenhos e jogos e maravilhas, foi inventada a roda. Não estamos então aqui para inventá-la de novo. Não é disso que se trata, mas de dizer como a fazemos funcionar em nosso canto do mundo; como queremos que ela funcione, entendendo que em cada lugar e para cada povo a roda gira de um jeito. Reconhecer isto será um enriquecimento para o mundo da roda e um passo a mais no conhecimento de nós mesmos”
*Presidente da Fundação Cultural Palmares
A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (COJIRA DF) fará nesta noite, de segunda-feira (13), o lançamento do Prêmio Abdias Nascimento e debate sobre o Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo e aniversário de 125 anos da promulgação da Lei Áurea
No ano passado, a região Centro-Oeste registrou participação de 11% do total de 170 trabalhos jornalísticos inscritos no Prêmio em todo o país. Para ampliar localmente a visibilidade da pauta etnorracial, a Cojira DF soma esforços com a Cojira RJ, ao promover uma atividade especial, reunindo representantes do movimento social, do Poder Público e da Academia.
O debate “Abolição 2013: ações afirmativas para a população negra no mercado de trabalho” será realizado a partir das 19h, no auditório do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, será uma contribuição para a implementação da Lei 12288/10 (Estatuto da Igualdade Racial), que em seu artigo 39 prevê: “ O poder público promoverá ações que assegurem a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para a população negra, inclusive mediante a implementação de medidas visando à promoção da igualdade nas contratações do setor público e o incentivo à adoção de medidas similares nas empresas e organizações privadas”. Foram convidados os seguintes debatedores:
Indira Silva Quaresma : Graduada pela Universidade de Brasília, é especialista em Previdência Social pela Fundação Getúlio Vargas e em Hermenêutica Constitucional pelo Instituto Brasiliense de Direito Público , é Procuradora Federal da Advocacia Geral da União, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB DF), teve destacada atuação na decisão do Supremo Tribunal Federal favorável à adoção de cotas raciais no ensino superior.
Tatiana Dias Silva : Mestre em administração pela Universidade Federal da Bahia, técnica de Planejamento e Pesquisa na Coordenação de Estudos Sobre Gênero e Raça, da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), é especialista em temas relacionados ao mundo do trabalho, igualdade racial e gestão pública.
Gustavo Caldas: Mestre em ciências jurídico-econômicas pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, bacharel em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Diretor do Departamento de Análise de Atos Normativos da Consultoria Geral da União, órgão consultivo da Advocacia Geral da União.
Reinaldo da Silva Guimarães : Mestre em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro, doutor em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, éprofessor universitário e pesquisador do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro Brasileiros (IPEAFRO), além de autor do livro recém-lançado “AFROCIDADANIZAÇÃO: ações afirmativa e trajetórias e vida no Rio de Janeiro”, resultado de sua tese de doutoramento.
Ramatis Jacino: Mestre e Doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo, é Presidente do Instituto Sindical Interamericano Pela Igualdade Racial (INSPIR), especializou-se no período de transição do trabalho escravo para o trabalho livre, autor entre outras obras do livro “O Branqueamento do Trabalho” e organizador da publicação “ÌMÓ - Panorama do Pensamento Negro Brasileiro”.
A Comissão de Educação, da Câmara dos Deputados, vai discutir na próxima terça-feira (14) sobre “A Implementação da Lei 10.639/2003, que altera as Diretrizes e Bases da Educação, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira”.
A audiência pública vai ocorrer no Plenário 10 do Anexo II da Câmara dos Deputados, às 10 horas.
Mais informações:
nelma.souza@camara.gov.br - nelma.souza@cam ara.gov.br>
Fone: (61) 3216-6621 -9977-9279

Foto: Divulgação
Manoel de Barros
Pedra sendo
Eu tenho gosto de jazer no chão.
Só privo com lagarto e borboletas.
Certas conchas se abrigam em mim.
De meus interstícios crescem musgos.
Passarinhos me usam para afiar seus bicos.
Às vezes uma garça me ocupa de dia.
Fico louvoso.
Há outros privilégios de ser pedra:
a - Eu irrito o silêncio dos insetos.
b - Sou batido de luar nas solitudes.
c - Tomo banho de orvalho de manhã.
d - E o sol me cumprimenta por primeiro

Perfil - Sionei Ricardo Leão
Atualmente é assessor de imprensa na Câmara Legislativa do Distrito Federal Foi repórter de política do Jornal de Brasilia durante o escândalo da Caixa de Pandora e na cobertura da campanha eleitoral em 2010. Já atuou pelo Jornal do Brasil, Diário da Serra, Folha do Povo, Jornal Correio do Estado, O Progresso e Revista Raça Brasil. Foi assessor de imprensa no Ministério da Cultura, na Presidência da República (Seppir), na Câmara dos Deputados (Mesa Diretora/Suplência) e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Estudou jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp) e na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Especializou-se em comportamento político pela UFMS. Lecionou jornalismo na Faculdade Estácio de Sá, Universidade Católica Dom Bosco, no Instituto de Ensino Superior de Brasília (IESB) e Unieuro. É ativista de direitos humanos e igualdade racial, o que lhe valeu o Prêmio Palmares de Comunicação (Ministério da Cultura) pelo Documentário Kamba-Racê, que trata do tema igualdade racial e Forças Armadas, assunto que continua pesquisando. Foi militar do Exército do Brasil, em São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.
E-mail: sionei.leao@gmail.com
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