Cidades.

Publicação: Segunda-feira, 06/06/2016 às 07:00:00     Atualização: 05/06/2016 às 22:06:51
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Prisões, muro erguido e vigilância no Torre Palace

Depois de quatro dias de operação, polícia desocupa hotel abandonado. Governo fala em projetos no espaço

Manuela Rolim e Altieres Losan
redacao@jornaldebrasilia.com.br


 A paciência acabou e a desocupação dos sem-teto que invadiram o hotel abandonado Torre Palace, no centro de Brasília, foi à força. A estratégia de vencer pelo cansaço não deu certo e uma grande operação na manhã de ontem terminou o impasse que durou 96 horas    e   custou milhões de reais. Para a Secretaria de Segurança Pública, a operação, que resultou em 12 prisões,  foi um sucesso e a promessa é de que novas invasões não aconteçam com a  intensificação do monitoramento. 

A titular da Segurança Pública  garantiu que novas situações de invasões não deverão mais ocorrer, mesmo que haja ameaças por parte  do Movimento Resistência Popular (MRP). Ao JBr., coordenadores do grupo chegaram a apontar dois hotéis em vista, além de ter os jogos das Olimpíadas no DF como alvo. 

“Eles têm a as estratégias deles e nós temos as nossas, com nossas inteligências integradas”, disse Márcia de Alencar. “Mostramos a eles que o efeito surpresa nesse assunto fez toda a diferença em todos os momentos dessa operação”, completou a secretária, que tem planos para o Torre Palace: “O hotel será um ambiente recuperado, de utilização de espaço público. Ações de cidadania deverão ocorrer no local, para dar à cidade o rosto que tem, de qualidade de vida”.

Segundo o diretor-geral da Polícia Civil, Eric Seba, a operação “não é um movimento social que está sendo criminalizado e, sim, um movimento criminal que está sendo socializado”. Ele considera que Edson Silva, líder do movimento, cometeu crimes suficientes para que fique bom tempo atrás das grades. Os presos devem ser apresentados à Justiça   hoje. “Criminal” 

“As provas estão robustas e quero acreditar, em nome da aplicação da Justiça, que eles sejam mantidos presos. Edson Silva não mediu esforços para afrontar e enfrentar o poder público. Realmente, é um ultraje”, afirmou. 

 Pena pode superar 80 anos de prisão

Edson Silva e outros dois integrantes do MRP devem receber pena aumentada por conta da tentativa de homicídio ao atentar contra a vida de sete policiais que estavam na aeronave Fênix, da PM. Mas todo o grupo deve ser autuado por uso das crianças como escudo humano, crimes de desobediência, resistência e dano qualificado. 

“As penas somadas de todos os ocupantes superam facilmente 80 anos de prisão, mas é lógico que a fixação  vai ficar a cargo da autoridade judiciária. Com certeza essas pessoas  vão permanecer longe das ruas por um bom tempo”, explicou o delegado Fernando César Costa,   da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRF) que presidiu a situação na área criminal.  

De acordo com o diretor da PCDF, quatro crianças, sendo duas de colo, foram atendidas no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), depois levadas para a delegacia, entrevistadas pelo corpo técnico e entregues a avós ou tios. Todos possuem residência em Brasília ou no Entorno.  Ainda não há estimativa de valor sobre toda a operação.

 Alívio  depois de um período difícil

 O Torre Palace era uma área de risco   para   seus "moradores". As escadas não tinham corrimão, o fosso dos elevadores estava completamente exposto, parte do teto estava prestes a cair e as janelas não tinham nenhuma proteção. Quem também não tinha segurança eram os hóspedes do hotel em frente. Durante a operação, vidraças foram quebradas e até uma parte da cobertura do estacionamento ficou danificada. 

Segundo um funcionário, nenhum cliente ficou ferido. "Fizemos questão de não hospedar ninguém nos quartos virados para o Torre Palace. Agora, a nossa expectativa é a melhor possível. Antes da desocupação, tivemos de baixar as diárias. Todo mundo chegava assustado com a vizinhança e desistia da hospedagem", afirmou. 

Turistas

A desocupação também foi comemorada pelos turistas. O casal de empresários Marcos Aurélio Masiero, 42 anos, e Adriana Masiero, 44, que veio do interior de São Paulo para conhecer Brasília,   parabenizou a ação da polícia. Eles estão hospedados em um hotel próximo ao Torre Palace e contam como foi a manhã  no Setor Hoteleiro Norte. 

"Vimos tudo da janela do quarto. Parecia cena de filme. Acordamos com tiroteio, barulho de bomba e policiais pulando do helicóptero em cima do prédio. A PM agiu corretamente, fez o dever dela", relatou Marcos. 

O casal foi pego de surpresa. "Não sabíamos que isso estava acontecendo em Brasília. Quando chegamos ao hotel, ficamos assutados com a quantidade de policiais. É uma realidade distante da gente. Foi assustador, mas estamos bem. A cidade é tão bonita, nós adoramos e, inclusive, pretendemos voltar", completou Adriana. 

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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