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Mesmas oportunidades
Estudo do Governo Federal diz que igualdade só será alcançada em 50 anos

Joana Wightmann

Reduzir a desigualdade entre negros e brancos é a principal meta dos movimentos que buscam a igualdade racial. Segundo a coordenadora do grupo afro Sire Odara, Maria das Graças Oliveira, um estudo do Governo Federal divulgado este ano revelou que seria necessário meio século para haver igualdade de oportunidades entre os dois grupos étnicos e 32 anos para que metade dos negros ingressem em universidades.

"Hoje, o negro, para conseguir o mínimo de destaque social, não tem que ser bom, precisa ser o melhor em tudo aquilo que faz", afirmou ela. Maria das Graças defendeu a idéia de que as políticas públicas precisam ser construídas a partir de parcerias entre técnicos do governo e a população. Com esse objetivo, de aproximar os poderes públicos da sociedade, o Jornal de Brasília realizou, terça-feira, o 1º Fórum de Igualdade Racial.

Durante o evento, que ocorreu no auditório do Centro Universitário UDF, na 903 Sul, o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, disse que ainda é preciso avançar em muitas áreas, mas enumerou os resultados positivos alcançados pela comunidade negra nos últimos 20 anos. "Tivemos algumas vitórias significativas, como o estímulo ao intercâmbio cultural e o fomento a projetos, estudos e pesquisas", enfatizou.

Liderança
Zulu Araújo destacou o papel de liderança assumido pelo Brasil, entre 2004 e 2005, para a aprovação da Convenção da Diversidade Cultural."Nosso objetivo, ao encabeçar essa luta, foi reconhecer a legitimidade das manifestações culturais, que não podem ser enquadradas como meros produtos da indústria", defendeu ele.

O presidente da Fundação Palmares assinalou que existe a necessidade urgente de reconhecer que o Brasil é um país plural e que houve uma importante contribuição civilizatória dos negros para sua história. "A manifestação cultural é a mais nobre expressão do ser humano", reforçou.

A platéia reclamou da depredação de estátuas de orixás na Prainha, no Setor de Clubes Sul, e da falta de investimentos do governo para preservar as manifestações culturais negras.

"Nossa tarefa urgente é produzir mais informações sobre a raça, porque sabemos que ainda há preconceito e discriminação. Tudo isso se resolve com políticas públicas", resumiu o coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade de Brasília (UnB), Nelson Inocêncio Olokofo.

 

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