Coluna do AquilesAquiles Rique Reis

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Publicação: Quarta-feira, 27/04/2016
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Verônica Sabino canta feliz

Verônica lançou Esse Meu Olhar (MP,B), álbum em que ficam latentes os seus atributos vocais e sua capacidade para navegar a bordo de uma nau que resiste ao tempo e às tempestades. Com afinação comprovada desde muito tempo, Verônica escolheu gravar ao vivo – desafio que põe à prova qualidades e defeitos dos que se valem do recurso de cantar sob o olhar da plateia.

O que se ouve ao longo de doze faixas é uma cantora plenamente conhecedora de suas qualidades e de suas limitações. Uma intérprete amadurecida que soube escolher o repertório que melhor se encaixa em sua extensão vocal.

Verônica canta feliz. E a felicidade fica nítida nas frases melódicas cantadas como se cada nota resumisse a sua própria existência. É verdade também que, no calor do palco, tendo a plateia a nortear seus sentimentos, vez por outra a respiração descola um pouco do ideal – ao vivo, movida pela emoção, em alguns momentos Verônica tendeu a despejar o ar no meio de uma frase, dele sentindo falta no final.

Verônica amadureceu. Parece mesmo que o longo tempo em que ficou longe do contato com o público deixou-a saudosa do ofício de cantar para acalmar corações, principalmente o seu, e de ouvidos atentos à sua voz.

Composto de seis músicas, cada uma numa faixa, e de treze outras canções ajuntadas em seis pot-pourris, o repertório é uma grande salada na qual os sabores se amalgamam, resultando em paladares agradáveis para gostos variados. Para temperar, um quarteto de instrumentistas que acompanhou a gravação ao vivo, no Cultural Bar, em Juiz de Fora: Chico Werneck (piano, acordeom e vocais), André Vasconcelos (baixo acústico e vocais), João Hermeto (percussão, bateria e vocais) e Sérgio Chiavazzoli (violão, guitarra e vocais, além de arranjador e diretor musical do CD).

As primeiras cinco faixas dizem da preferência de Verônica por compositores do período pré-bossa nova: Tom Jobim, Aloysio de Oliveira, Maysa, Custódio Mesquita, Ewaldo Ruy, Dolores Duran, Vinicius de Moraes, Haroldo Barbosa, Carlos Lyra, dentre outros.

A partir da faixa seis e até a metade do pot-pourri da faixa onze, autênticos sucessos bossanovistas. Alguns deles contaram com a competente participação de Roberto Menescal tocando violão e dividindo o canto com Verônica, e foram compostos pelo próprio Menescal e por Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle. Uma ressalva: em meio a essas bossas, “Garota Nacional”, sucesso de Samuel Rosa e Chico Amaral, soa deslocada.

Para fechar a tampa, como que pairando soberano acima de gêneros musicais, “Nada Será Como Antes” (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos), que contou com a sempre brilhante participação vocal de Milton Nascimento. Meu Deus do céu! Seu dueto com Verônica já vale o CD.

Feito uma renovada dama da noite, uma autêntica lady crooner de voz aveludada e em pleno apogeu, em Esse Meu Olhar Verônica Sabino brinda seu público com interpretações impregnadas de vigor e sensualidade.

 

Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4

 

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