Histórias da BolaGustavo Mariani

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Publicação: Quarta-feira, 15/06/2016
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Padres goleadores

Eles não entram em campo para balançar a rede, mas os cartolas e a galera dizem que ficam na torcida ajudando a sacudir o barbante. Por exemplo, na década de 1950, quando o Flamengo conquistou um tri carioca (1953/54/55), nos tempos do grande presidente Gilberto Cardoso, na geração de Joel, Henrique Frade, Dida, Babá, e com o comando do técnico paraguaio Fleitas Solich, o “cara” era o Padre Goes. O Vasco teve um que até batia bola (de brincadeira, é claro), com campeões mundiais. O Corinthians viu o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns até escrevendo livro sobre o Timão.

No futebol gaúcho, escalou-se um dos maiores “artilheiros” milagreiros do Brasil, o Padre Reus. Este teve os seus milagres (fora dos gramados) investigados pela Igreja Católica e, por “ajudar tanto” ao Grêmio, tornou-se, na década de 1960, “protetor divino” do clube. Até participava dos “bichos” da rapaziada, por vitórias e empates. Os jogadores e o treinador Carlos Froner (em 1967), doavam parte do que ganhavam para as obras assistenciais que o religioso mantinha em São Leopoldo, perto da capital gaúcha.

Um dos exemplos dos milagres do Padre Reus era contado por um dos principais atletas gremistas daquela época, o meio-campista Sérgio Lopes. Ele drigia o seu carro, levando a familia junto, por uma estrada sem sinalização, entre Caxias do Sul e Porto Alegre, quando o colidiu com cavaletes de sinalização. O choque o fez perder o controle do veículo, que bateu violentamente contra o acostamento da rodovia, ficando completamente destruído. “Graças” ao Padre Reus, segundo o jogador, ninguém sofreu nenhum arranhão.

Por causas deste e de outros milagres (dentro e fora do campo), jogadores, torcedors e diretors gremistas passaram a colocar miniaturas de bonecos do “milagreiro” dentro de seus automóveis. Nas terças-feiras, dia de pesagem dos atletas e do recebimento das gratificações (quando venciam), ao colocarem as mãos na grana, os jogaodres diziam: “Que o Padre Reus não esqueça mais do Grêmio”. E cada um entregava NCr 50 (novos cruzeiros, moeda da época) a Carlos Froner, o tesoureiro do “santo homem”. Depois, havia uma prece para que tudo aquilo fosse repetido após a próxima rodada.

Froner já levara aquela mesma devoção para os jogadores do Cruzeiro de Porto Alegre, do Internacional, e do Juventude, de Caxias do Sul, quando passara por lá. Dizia que devia muito do seu sucesso ao Padre Reus. Que só não ajudou a um dos seus discíplulos, Luiz Felipe Scolari, o Felipão, no dia em que a Seleção Brasileira levou 7 x 1 da Alemanha, durante a Copa do Mundo-2014.       

 

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